Os perigos da pejotização nas empresas
- Aurea Paes
- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Nos últimos anos, a chamada pejotização se tornou um assunto bastante discutido no mercado de trabalho brasileiro. O termo se refere à prática em que empresas exigem que profissionais constituam uma pessoa jurídica (PJ) para prestarem serviços, mesmo que a relação estabelecida apresente todas as características de um vínculo empregatício formal.
Embora, em alguns casos, a contratação como PJ seja legítima e vantajosa para ambas as partes, a pejotização usada de forma irregular traz sérios riscos legais, financeiros e reputacionais para as empresas.
📌 O que é pejotização?
A pejotização ocorre quando a empresa contrata um trabalhador como pessoa jurídica apenas para reduzir custos trabalhistas, mas mantém com ele uma relação típica de emprego.
Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma relação de emprego é caracterizada pela:
Subordinação (o trabalhador cumpre ordens e regras da empresa);
Pessoalidade (o serviço é prestado pela própria pessoa, sem substitutos);
Onerosidade (o trabalhador recebe remuneração pelo serviço);
Não eventualidade (há habitualidade na prestação de serviços).
Quando esses requisitos estão presentes, mesmo que exista um contrato de prestação de serviços entre empresas, a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo empregatício.
⚠️ Quais os perigos da pejotização para as empresas?
Passivo trabalhista
O trabalhador pode acionar a Justiça e requerer vínculo empregatício, resultando em pagamento retroativo de férias, 13º salário, FGTS, horas extras e outras verbas.
Multas e penalidades
A empresa pode ser multada pelo Ministério do Trabalho e pela Receita Federal por sonegação de encargos trabalhistas e previdenciários.
Risco de imagem e reputação
Casos de pejotização irregular podem comprometer a imagem da empresa no mercado e prejudicar sua marca empregadora.
Insegurança jurídica
A falta de clareza na contratação pode gerar disputas trabalhistas e insegurança para ambas as partes.
✅ Quando a contratação como PJ é válida?
É importante destacar que a contratação de profissionais como pessoa jurídica é legal quando se trata de prestação de serviços autônomos, sem os elementos da relação de emprego. Exemplos comuns: consultores, prestadores de serviços especializados e freelancers.
Nesses casos, a relação é pautada pela autonomia do prestador, pela liberdade de horários e pela ausência de subordinação direta.
🚀 Boas práticas para evitar riscos
Avaliar cuidadosamente se a atividade contratada pode ser realizada como prestação de serviços.
Formalizar contratos claros, destacando a autonomia do prestador.
Manter registros que comprovem a inexistência de subordinação e habitualidade.
Buscar orientação contábil e jurídica antes de definir o modelo de contratação.
A pejotização, quando usada de forma indevida, pode trazer graves consequências trabalhistas e financeiras para as empresas. O ideal é que cada contratação seja analisada com base na legislação, equilibrando a redução de custos com a segurança jurídica.
Respeitar os direitos trabalhistas e adotar boas práticas de gestão é sempre a melhor estratégia para construir relações sólidas e sustentáveis entre empresas e profissionais.
Aurea Paes
15/01/2026





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