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Centralização da emissão de notas fiscais: os problemas enfrentados pelos contadores

  • Foto do escritor: Aurea Paes
    Aurea Paes
  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

Com a reforma tributária em andamento, um dos pontos que mais têm gerado preocupação entre os contadores é a centralização da emissão das notas fiscais em ambientes vinculados ao governo. Embora a proposta tenha como objetivo padronizar, simplificar e aumentar a transparência, na prática o processo de transição tem revelado diversos entraves.

Esses problemas afetam diretamente a rotina dos escritórios contábeis e das empresas, exigindo atenção redobrada, retrabalho e constante adaptação.

 

1. Instabilidade e limitações dos sistemas governamentais

Um dos principais relatos dos profissionais da contabilidade diz respeito à instabilidade dos portais e ambientes governamentais. Lentidão, indisponibilidade temporária e falhas no processamento das informações têm sido frequentes, especialmente em períodos de maior volume de acessos.

Para os contadores, isso representa:

  • Atrasos na emissão de notas fiscais;

  • Dificuldade no cumprimento de prazos operacionais e contratuais;

  • Dependência de sistemas que ainda estão em fase de ajustes;

  • Insegurança quanto à validação e autorização dos documentos fiscais.

Na prática, o risco operacional aumenta, e o contador passa a administrar problemas que fogem ao seu controle direto.

 

2. Falta de padronização clara e orientações incompletas

Outro desafio relevante é a ausência de orientações claras e definitivas sobre os procedimentos de emissão no novo modelo centralizado. Muitos manuais, notas técnicas e comunicados ainda estão em construção ou sofrem alterações constantes.

Isso gera:

  • Dúvidas na parametrização dos sistemas;

  • Incertezas quanto ao correto preenchimento dos campos fiscais;

  • Dificuldade em orientar clientes e equipes internas;

  • Risco de retrabalho e inconsistências futuras.

O contador, que tradicionalmente atua como intérprete da legislação, passa a lidar com regras em evolução, o que exige acompanhamento contínuo e atualização constante.

 

3. Integração deficiente com ERPs e sistemas das empresas

A centralização da emissão de notas fiscais pressupõe integração eficiente entre os sistemas das empresas e as plataformas governamentais. No entanto, essa integração ainda não ocorre de forma plena.

Entre os principais problemas observados estão:

  • Falhas na comunicação entre ERP e ambiente governamental;

  • Necessidade de ajustes manuais após a emissão;

  • Incompatibilidade entre layouts e versões de sistemas;

  • Dependência excessiva de atualizações dos fornecedores de software.

Esse cenário gera aumento de custos operacionais e amplia a possibilidade de erros, impactando diretamente a conformidade fiscal das empresas.

 

4. Aumento do retrabalho e da responsabilidade do contador

Com a centralização da emissão e a maior exigência sobre a qualidade das informações, qualquer erro na origem da operação passa a ter efeitos em cadeia.

Na prática, o contador enfrenta:

  • Mais conferências e validações prévias;

  • Correções de notas fiscais já emitidas;

  • Demandas operacionais que antes estavam diluídas entre diferentes sistemas;

  • Maior responsabilização por falhas que, muitas vezes, decorrem de limitações tecnológicas.

O papel do contador se expande, mas nem sempre acompanhado de estruturas adequadas ou prazos compatíveis.

 

A centralização da emissão de notas fiscais é um dos pilares da reforma tributária, mas sua implementação tem exposto desafios relevantes para a contabilidade.

Instabilidade dos sistemas governamentais, falta de padronização definitiva, dificuldades de integração e aumento do retrabalho fazem parte da realidade atual dos contadores.

Mais do que nunca, o contador precisa atuar de forma crítica, preventiva e estratégica, ajudando empresas a atravessar esse período de transição com o menor risco possível — mesmo diante de sistemas que ainda estão em fase de amadurecimento.

 

Aurea Paes

08/01/2026




 
 
 

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