Centralização da emissão de notas fiscais: os problemas enfrentados pelos contadores
- Aurea Paes
- há 13 minutos
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Com a reforma tributária em andamento, um dos pontos que mais têm gerado preocupação entre os contadores é a centralização da emissão das notas fiscais em ambientes vinculados ao governo. Embora a proposta tenha como objetivo padronizar, simplificar e aumentar a transparência, na prática o processo de transição tem revelado diversos entraves.
Esses problemas afetam diretamente a rotina dos escritórios contábeis e das empresas, exigindo atenção redobrada, retrabalho e constante adaptação.
1. Instabilidade e limitações dos sistemas governamentais
Um dos principais relatos dos profissionais da contabilidade diz respeito à instabilidade dos portais e ambientes governamentais. Lentidão, indisponibilidade temporária e falhas no processamento das informações têm sido frequentes, especialmente em períodos de maior volume de acessos.
Para os contadores, isso representa:
Atrasos na emissão de notas fiscais;
Dificuldade no cumprimento de prazos operacionais e contratuais;
Dependência de sistemas que ainda estão em fase de ajustes;
Insegurança quanto à validação e autorização dos documentos fiscais.
Na prática, o risco operacional aumenta, e o contador passa a administrar problemas que fogem ao seu controle direto.
2. Falta de padronização clara e orientações incompletas
Outro desafio relevante é a ausência de orientações claras e definitivas sobre os procedimentos de emissão no novo modelo centralizado. Muitos manuais, notas técnicas e comunicados ainda estão em construção ou sofrem alterações constantes.
Isso gera:
Dúvidas na parametrização dos sistemas;
Incertezas quanto ao correto preenchimento dos campos fiscais;
Dificuldade em orientar clientes e equipes internas;
Risco de retrabalho e inconsistências futuras.
O contador, que tradicionalmente atua como intérprete da legislação, passa a lidar com regras em evolução, o que exige acompanhamento contínuo e atualização constante.
3. Integração deficiente com ERPs e sistemas das empresas
A centralização da emissão de notas fiscais pressupõe integração eficiente entre os sistemas das empresas e as plataformas governamentais. No entanto, essa integração ainda não ocorre de forma plena.
Entre os principais problemas observados estão:
Falhas na comunicação entre ERP e ambiente governamental;
Necessidade de ajustes manuais após a emissão;
Incompatibilidade entre layouts e versões de sistemas;
Dependência excessiva de atualizações dos fornecedores de software.
Esse cenário gera aumento de custos operacionais e amplia a possibilidade de erros, impactando diretamente a conformidade fiscal das empresas.
4. Aumento do retrabalho e da responsabilidade do contador
Com a centralização da emissão e a maior exigência sobre a qualidade das informações, qualquer erro na origem da operação passa a ter efeitos em cadeia.
Na prática, o contador enfrenta:
Mais conferências e validações prévias;
Correções de notas fiscais já emitidas;
Demandas operacionais que antes estavam diluídas entre diferentes sistemas;
Maior responsabilização por falhas que, muitas vezes, decorrem de limitações tecnológicas.
O papel do contador se expande, mas nem sempre acompanhado de estruturas adequadas ou prazos compatíveis.
A centralização da emissão de notas fiscais é um dos pilares da reforma tributária, mas sua implementação tem exposto desafios relevantes para a contabilidade.
Instabilidade dos sistemas governamentais, falta de padronização definitiva, dificuldades de integração e aumento do retrabalho fazem parte da realidade atual dos contadores.
Mais do que nunca, o contador precisa atuar de forma crítica, preventiva e estratégica, ajudando empresas a atravessar esse período de transição com o menor risco possível — mesmo diante de sistemas que ainda estão em fase de amadurecimento.
Aurea Paes
08/01/2026





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