Reforma Tributária: as dificuldades dos contadores na adequação de sistemas e processos internos
- Aurea Paes
- há 12 minutos
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A reforma tributária representa uma das maiores transformações do sistema de tributos sobre o consumo no Brasil. Para os contadores, o desafio vai muito além do estudo da nova legislação: ele se materializa no dia a dia dos escritórios e das empresas, especialmente na adequação de sistemas, processos internos e na qualidade das informações.
Neste artigo, vamos abordar três pontos críticos que já estão no radar da contabilidade: a atualização de ERPs e softwares fiscais, a emissão de notas fiscais no novo modelo e a integração e confiabilidade dos dados.
1. Atualização de ERP e softwares fiscais
Um dos primeiros impactos práticos da reforma tributária é a necessidade de adaptação dos sistemas utilizados pelas empresas. Os atuais ERPs e softwares fiscais foram estruturados para lidar com um sistema complexo, fragmentado e baseado em múltiplos tributos.
Com a chegada do IBS e da CBS, será necessário:
Reconfigurar cadastros de produtos e serviços;
Revisar regras de tributação e parametrizações fiscais;
Ajustar cálculos, relatórios e integrações contábeis;
Garantir que o sistema esteja preparado para conviver, por um período, com regras antigas e novas.
Para os contadores, o desafio está em atuar como ponte entre a legislação e a tecnologia, muitas vezes lidando com fornecedores de sistemas que ainda estão em fase de desenvolvimento ou adaptação.
Além disso, nem todas as empresas possuem ERPs robustos ou atualizados, o que pode gerar retrabalho, controles paralelos e aumento do risco de erros.
2. Emissão de notas fiscais no novo modelo
Outro ponto sensível é a emissão de documentos fiscais. A reforma tributária prevê mudanças importantes no modelo de notas fiscais, exigindo maior padronização, detalhamento e qualidade das informações prestadas.
Na prática, isso significa:
Adequação dos layouts de notas fiscais;
Revisão dos campos obrigatórios e das informações tributárias;
Maior dependência de dados corretos desde a origem da operação;
Ajustes nos processos comerciais e operacionais das empresas.
Para o contador, o desafio não está apenas em entender as novas regras, mas em orientar clientes e equipes internas para que a emissão da nota fiscal aconteça corretamente desde o início.
Erros na nota fiscal deixam de ser apenas um problema operacional e passam a impactar diretamente créditos, apurações e conformidade fiscal.
3. Integração e qualidade dos dados
Com um sistema tributário mais transparente e não cumulativo, a qualidade da informação se torna um fator central. Dados inconsistentes, incompletos ou divergentes podem comprometer todo o processo de apuração.
Os principais desafios nesse ponto incluem:
Falta de integração entre sistemas contábeis, fiscais, financeiros e comerciais;
Cadastros inconsistentes de clientes, fornecedores e produtos;
Informações geradas sem validação ou conferência prévia;
Dependência excessiva de ajustes manuais.
Nesse novo cenário, o contador assume um papel estratégico na governança dos dados, ajudando as empresas a estruturar processos mais confiáveis e integrados.
A contabilidade deixa de atuar apenas no fechamento mensal e passa a participar ativamente da organização da informação desde a origem da operação.
A reforma tributária impõe desafios significativos aos contadores, especialmente no que diz respeito à adequação de sistemas, emissão correta de documentos fiscais e qualidade dos dados.
Mais do que dominar a legislação, será fundamental desenvolver uma visão sistêmica, tecnológica e estratégica. O contador que conseguir atuar de forma integrada com as áreas de tecnologia, fiscal e gestão terá um papel ainda mais relevante nesse novo cenário.
A transição não será simples, mas também representa uma oportunidade de valorização da contabilidade como pilar essencial para a segurança e sustentabilidade das empresas.
Aurea Paes
08/01/2026





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