Gestão Estratégica no Período de Transição da Reforma Tributária
- Aurea Paes
- 1 de jan.
- 3 min de leitura
A reforma tributária brasileira inaugura um dos momentos mais desafiadores — e estratégicos — da história recente da gestão empresarial. Durante o período de transição, empresas e profissionais precisarão conviver simultaneamente com dois sistemas tributários: o modelo atual e o novo modelo baseado no IBS e na CBS.
Mais do que uma mudança técnica, esse cenário exige gestão estratégica, visão integrada e decisões bem fundamentadas. Quem tratar a transição apenas como uma obrigação fiscal corre o risco de sofrer com erros, retrabalho e perda de competitividade.
Conviver com dois sistemas ao mesmo tempo: o novo normal
Durante a transição, tributos como ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS coexistirão com IBS e CBS, cada um com regras próprias de:
incidência
apuração
créditos
obrigações acessórias
Isso significa que a empresa precisará:
manter dupla lógica de apuração
compreender dois regimes conceituais diferentes
conciliar informações fiscais, contábeis e gerenciais
📌 O grande desafio não está apenas em calcular impostos, mas em interpretar corretamente qual regra se aplica a cada operação e em qual período.
Sem um planejamento claro, a transição pode gerar inconsistências que se acumulam mês a mês.
Riscos de erros e retrabalho: onde mora o perigo
A convivência entre dois sistemas aumenta significativamente o risco de falhas. Entre os principais riscos, destacam-se:
🔴 Classificações incorretas
Erros na identificação de:
fato gerador
tributo aplicável
direito a crédito
podem resultar em recolhimentos indevidos ou insuficientes.
🔴 Retrabalho operacional
Informações lançadas sem critério claro exigem:
reprocessamento de dados
revisões frequentes
ajustes manuais
Isso eleva custos internos e sobrecarrega equipes fiscais e contábeis.
🔴 Insegurança nas decisões estratégicas
Sem dados confiáveis:
a precificação pode ser equivocada
a escolha do regime tributário pode se tornar ineficiente
margens de lucro podem ser comprometidas sem percepção imediata
📌 Na transição, erro pequeno vira problema grande, pois tende a se repetir ao longo do tempo.
Ferramentas de acompanhamento em tempo real: aliadas da gestão
Para atravessar esse período com segurança, não basta conhecimento técnico. É fundamental investir em ferramentas de acompanhamento em tempo real, que permitam visão clara e rápida dos impactos tributários.
🧩 Sistemas integrados (ERP)
ERPs atualizados permitem:
separação correta dos tributos por regime
rastreabilidade das operações
redução de lançamentos manuais
📊 Dashboards gerenciais
Painéis de controle ajudam a:
visualizar carga tributária por produto ou serviço
comparar cenários entre sistemas
identificar desvios rapidamente
🧮 Simulações tributárias
Ferramentas de simulação permitem:
testar impactos do IBS e da CBS
comparar regimes tributários
antecipar decisões estratégicas antes que o problema apareça
📌 Informação em tempo real reduz risco, evita retrabalho e melhora a qualidade das decisões.
Gestão estratégica: o diferencial no período de transição
A transição tributária não deve ser vista apenas como um período de adaptação, mas como uma janela estratégica. Empresas que:
revisarem processos
investirem em tecnologia
adotarem visão gerencial da tributação
estarão mais preparadas para o novo sistema e sairão à frente da concorrência.
👉 A tributação deixa de ser apenas custo e passa a ser fator estratégico de competitividade.
Conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo exige mais do que atenção operacional: exige gestão estratégica, controle e visão de futuro. O período de transição da reforma tributária será desafiador, mas também revelador.
As empresas que compreenderem esse momento como parte do planejamento do negócio — e não apenas como obrigação fiscal — terão melhores condições de crescer, competir e se adaptar ao novo cenário tributário brasileiro.
Aurea Paes
29/12/2025





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