Impactos da reforma tributária por setor da economia
- Aurea Paes
- 18 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A Reforma Tributária é uma das mudanças mais aguardadas do sistema fiscal brasileiro.
Prevista para iniciar a transição em 2026, ela promete simplificar a tributação sobre o consumo, substituindo tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI pelo novo modelo de IVA dual – formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de competência estadual e municipal).
Mas, afinal, como essa mudança afetará os diferentes setores da economia? A resposta não é única: cada segmento terá vantagens e desafios específicos.
Indústria: maior transparência e mais créditos
A indústria tende a ser uma das maiores beneficiadas. Hoje, o setor sofre com a cumulatividade de tributos e com a dificuldade de aproveitar créditos de PIS/Cofins e ICMS.
Com a reforma: haverá um aproveitamento mais amplo e automático de créditos, reduzindo distorções.
Benefício esperado: diminuição do “efeito cascata” e maior competitividade dos produtos industriais, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Desafio: adaptação dos sistemas e controles fiscais para gerenciar os créditos de forma precisa.
Comércio: neutralidade tributária e foco na eficiência
O comércio, tanto atacadista quanto varejista, deve sentir impactos mais neutros em relação à carga tributária.
Com a reforma: a principal mudança será a simplificação dos tributos, com menos burocracia na apuração e pagamento.
Benefício esperado: redução de custos administrativos e maior clareza na precificação.
Desafio: adaptação de preços ao consumidor final, já que as notas fiscais passarão a destacar o imposto de forma mais transparente.
Setor de Serviços: atenção ao aumento de carga tributária
Entre todos os setores, o de serviços é o que levanta mais preocupações. Isso porque, atualmente, muitos prestadores pagam ISS com alíquotas municipais que variam entre 2% e 5%.
Com a reforma: a carga pode aumentar, já que as alíquotas do IBS e da CBS devem ser maiores, aplicadas de forma uniforme.
Benefício esperado: possibilidade de utilização de créditos de insumos, antes negados em muitos casos.
Desafio: repassar os custos para o consumidor sem perder competitividade, especialmente em setores como educação, saúde e tecnologia.
Agronegócio: competitividade e crédito ampliado
O agronegócio, um dos motores da economia brasileira, também terá efeitos relevantes.
Com a reforma: haverá maior facilidade no aproveitamento de créditos em toda a cadeia produtiva, do insumo até a exportação.
Benefício esperado: exportadores serão beneficiados pela desoneração das exportações e pelo reembolso mais ágil de créditos.
Desafio: acompanhamento das regulamentações específicas, já que produtos agropecuários têm tratamento diferenciado em alguns tributos atuais.
Infraestrutura e Construção Civil: cenário desafiador
A construção civil deve enfrentar desafios significativos. Hoje, grande parte da tributação é baseada em regimes específicos e simplificados.
Com a reforma: a tributação uniforme pode aumentar custos do setor, especialmente em projetos de longo prazo.
Benefício esperado: maior clareza na apuração dos impostos e possibilidade de recuperar créditos de insumos.
Desafio: adaptar contratos de obras já em andamento e planejar investimentos considerando o período de transição.
A Reforma Tributária promete trazer simplificação e transparência, mas seus impactos variam muito conforme o setor da economia.
Indústria e agronegócio devem ser favorecidos pelo aproveitamento amplo de créditos.
Comércio terá ganhos em eficiência e redução da burocracia.
Serviços e construção civil, por outro lado, precisam se preparar para uma possível elevação da carga tributária.
Em todos os casos, o segredo estará na antecipação: revisar o regime atual, mapear créditos, atualizar sistemas e capacitar equipes serão passos fundamentais para que empresas de qualquer setor atravessem a transição com segurança e competitividade.
Aurea Paes
18/12/2025





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